quarta-feira, dezembro 31, 2014

terça-feira, dezembro 30, 2014

segunda-feira, dezembro 29, 2014

Dallol e lago Karum


Vai ser a zona mais quente da viagem, com temperaturas médias de 41º a que se junta uma humidade sufocante. Mas o sacrifício parece valer a pena.

domingo, dezembro 28, 2014

Ahmed Ela



Pista de montanha até chegarmos a Ahmed Ela, às portas do Dallol. Acampamento com a tribo Afar e noite ao relento.

sábado, dezembro 27, 2014

Mekele


Depois de uma pista de montanhas que atravessa florestas de embondeiros chegamos a Mekele, cidade cosmopolita do norte.

sexta-feira, dezembro 26, 2014

17 Thasas 2007


Não, hoje não é dia 26 de dezembro de 2014 mas dia 17 de Tahsas de 2007. O calendário etíope tem que se lhe diga. Mas, seja como for, é dia de visitar o famosíssimo complexo religioso de Lalibela.

quinta-feira, dezembro 25, 2014

Aos saltinhos pelo ar


No very dia de natal lá vou eu, aos saltinhos, de Lisboa a Adis Abeba, com paragem em Roma e no cairo. Happy Christmas, pessoal!

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Viagem no tempo


Daqui a umas horitas parto rumo à Etiópia, destino há muito desejado. Parto na madrugada de 25 de dezembro de 2014 e  aterro em Addis Abeba um dia depois, a 17 Thahsas de 2007, uma viagem no tempo e no espaço em companhia de Rimbaud, Corto Maltese e Manuel João Ramos, cujas páginas revisitei com redobrado prazer.
No Mochila às Costas estão já preparados posts que diariamente vãodando conta do que ando a fazer e por onde.

Um bom natal para todos e até dia 26 Tahsas de 2007.

segunda-feira, dezembro 22, 2014

O rio dito o mais bonito do mundo


Na maior parte do ano o Caño Cristales é um rio como qualquer outro mas, por um curto período, algures entre julho e outubro, transforma-se, qual Gata Borralheira, num tapete vermelho vivo, uma vibrante explosão de cores.
A responsável por este espetáculo dá pelo nome de Macarenia Clavígera, planta endémica com trejeitos de prima donna. Para que a menina floresça é preciso que o rio tenha bastante água mas não demasiada, que o caudal não seja forte nem fraco, a temperatura..., a chuva... 



Durante várias décadas a zona foi bastião da guerrilha e por isso inacessível a todos os restantes colombianos e só em 2009 o governo conseguiu abrir a zona a um turismo controlado.  
Em Macarena há que fazer o registo na sede do parque nacional da Serra da Macarena, solicitar um guia, obter o salvo-conduto que permite passar pelos muitos controles militares que temos de passar. Por razões ambientais não é permitido usar repelente de insetos nem protetor solar e o acesso é limitado a um máximo de 160 pessoas por dia. Mas quase todas, famílias colombianas, ficam nos metros iniciais junto à primeira piscina, a tomar banho e almoçar.


Embrenhamo-nos pela garganta deslumbradas pelo contraste das águas coloridas, a as rochas e floresta circundante, refrescamos os pés nas águas cristalinas das piscinas naturais, paramos junto às cascatas, divertimo-nos a conversar e tirar fotografias com um grupo de bem dispotos militares em patrulha pela zona. E não consegui resistir à tentação de encenar uma foto tipo Ingrid Betancourt e FARC. Ai... as mulheres e as fardas!

terça-feira, dezembro 16, 2014

Zombies no Père Lachaise?


Mesmo que se visite muitas vezes uma cidade há sempre coisas a descobrir e Paris tem 2 ou 3 pontos há muito na lista mas que, por esta ou aquela razão têm ficado "para a próxima". Desta vez consegui retirar um deles do rol.

Um dia frio e cinzento de outono - roupagem adequada para visitar os que "já lá estão" - e aqui vamos nós à descoberta do cemitério Père Lachaise. Um panfleto com a indicação de algumas das muitas celebridades que por aqui descansam e, guardando o decoro que o cenário exige, entrámos no jogo de descobrir nomes conhecidos, estátuas, pormenores interessantes.
Piaf, Sarah Bernhardt, Proust, Chabrol, Fourrier, Chopin, Balzac, o Haussman do boulevard, Yves Montant e Simone Signoret, Gay-Lussac, ... todo um friso de nomes sonantes das artes, da ciência, da política...

 

Dois túmulos sobressaem: o de Óscar Wilde,  que teve de ser protegido com acrílico para impedir que os fãs mais ardentes continuassem a deixar marcas de baton, e o de Jim Morrison, dos Doors. Na impossibilidade de se chegarem junto à campa, cercada com grades, há quem não hesite em deixar os cadeados da praxe mas também bilhetes de metro, cigarros e pastilhas elásticas mastigadas. Muitas, muitas mesmo. Vá se lá saber porquê.



E a pergunta que fizemos ("porque é que JM está enterrado aqui?") só teve resposta em casa, com a ajuda do erudito sr Google. (aqui)

Mas o aspeto mais curioso talvez tenha sido a descoberta de um morto-vivo, o arqueólogo Vivant Denon. Há zombies no Père Lachaise!

(Para uma visita virtual e procura de campas siga o link)


quarta-feira, setembro 17, 2014

Os amigos do pedal

 

 
Agonia e Fadiga são nomes de ruas de Bogotá. Só o nome cansa, mas cansa ainda mais saber que as temos de subir. Junte-se-lhe o jet lag, uma noite em branco, os 2600 metros de altitude, uma bicicleta e o empedrado irregular. Aiiiii...

 

Bom, vamos a isso, força nas pernas e partamos à descoberta da cidade. Trim, trim, o bairro colonial da Candelária acolhe as nossas primeiras pedaladas, mostra-nos casas coloridas e graffitis, praças, catedrais e até uma aula de zumba deu alento à nossa passagem.


Trim, trim, de coração apertado seguimos agora pelas ruas de trânsito caótico. São 7,2 milhões os habitantes de Bogotá e parecem estar todos aqui, apostados em nos complicar a vida. Peões que  se atravessam à nossa frente sem  um aviso ou um olhar, vendedores que empurram  carrinhos em contra-mão,  carros e camiões que passam rápidos, desorganizados e rente, com quem negociamos os escassos milímetros que garantem a nossa sobrevivência.

Arrepia? Ai arrepia sim senhor.

No mercado, de uma organização e asseio que contrastam com o caos das ruas, recuperamos forças e serenidade com um sumo de fruta do tamanho da cidade.
E são horas de regressar, são novamente as ruas da Fadiga  e da Agonia que temos de enfrentar e, desta vez, a subir.


Ah! Disse que as fizemos com a bicicleta pela mão?


terça-feira, agosto 12, 2014

No Pantanal colombiano


Quatro dias nos Llanos que dizem ser o Pantanal colombiano. Quatro dias sem electricidade ou água quente mas que prometem. Safaris, cavalgadas, pesca, procura das anacondas, etc.

domingo, agosto 10, 2014

Caños Cristales


Um rio pintado por algas cuja exuberância atinge o máximo entre julho e setembro. O vermelho da imagem é uma das 5 cores que dizem ter. Para cá chegarmos temos de ir de carro, de avião, de barco e finalmente de jipe. Mas deve valer a pena.

sábado, agosto 09, 2014

Pausa


Regressamos ao frio de Bogotá. Teremos  tempo e vontade de visitar a obra de Botero ou ficamos apenas a recuperar as forças?

quinta-feira, agosto 07, 2014

terça-feira, agosto 05, 2014

Vamos a la playa!


Voamos para norte e aterramos no parque de Tayrona onde as águas das Caraíbas nos esperam. Splash!

domingo, agosto 03, 2014

San Agustin


Muito há para ver na zona de San Agustin: a pé e a cavalo vamos partir à descoberta de estátuas e túmulos maias, rios e desfiladeiros.

sexta-feira, agosto 01, 2014

Deserto de Tatacoa






Dois dias para explorar o deserto de Tatacoa, dormir junto ao observatório maia debaixo de um manto de estrelas.

quarta-feira, julho 30, 2014

Cafecito de Colômbia


Uma viagem na Colômbia ficava incompleta sem uma incursão na Zona Cafetera, onde é produzido um dos cafés mais conhecidos do mundo. Vamos calcorrear montes e vales verdejantes, visitar plantações de café e retemperar as forças com uma chávena de tinto.

segunda-feira, julho 28, 2014

Leyva


A cavalo ou a pé vamos andar pelos arredores da Villa de Leyva a visitar observatórios astronómicos, grutas, cascatas, ...

domingo, julho 27, 2014

Os dois álbuns de fotografias das Flores e Corvo podem ser vistos aqui.


Dar ao pedal



Com centenas de quilómetros de via cicláveis Bogotá é uma cidade que as bicicletas tratam por tu. Esperemos que o choque do 1º dia em altitude e a chuva não estragam a festa.

sábado, julho 26, 2014

Rumo à Colômbia


Colômbia! Vamos a isso.

Encharcado de azul

À noite não posso dormir, estou encharcado de azul.

Tudo isto, todo este azul, toda esta frescura entra em jorro pelos olhos dentro e pela alma dentro. A tinta azul não só ondula  - estremece em pequenos grãos vivos, duma acção extraordinária, e o mundo sempre novo que me rodeia penetra-me do seu bafo e comunica-me a sua vida.

 

Nos recantos, nos buracos, nas cavidades e nas grutas fervilha a vida. A gruta dos Enxaréus abre para o mar a grande boca negra. Pedra, abóboda escura, estriada de branco com relevos bordados a preto. Pesa-lhe em cima uma montanha; em baixo na água dum azul carregado, nadam milhares de enxaréus. Naquele refúgio encontram-se às vezes mais peixes que água, tornando-a quase compacta.




Ao largo um pôr-do-sol dramático enche o horizonte, doira os bordos dos cerros e irrompe pelos interstícios caindo em feixes sobre as águas. Assisto ao desenlace deste drama mudo e extraordinário, quando ao mesmo tempo o ar se incendeia cor de cobre e na vasta solidão de estanho correm jorros de ouro fundidos.


in As Ilhas Desconhecidas, Raul Brandão

Com o deserto na alma

 
 
Em Faya-Largeau cheira a regresso. Suavemente recuperamos algum do conforto a que a nossa privilegiada vida de europeus nos habituou. Trocamos a noite ao relento pelo chão de uma palhota, as dodots por um balde de água que vamos buscar ao poço.
No mercado encontramos legumes e roupas e animais e louças e mobília e armas. E tantos detectores de metal. E sorrisos e pedidos de fotografia e mais sorrisos.


O vento quente esqueceu a força da chegada e embala-nos docemente como a mão de um amigo que nos encaminha. Amanhã diremos adeus a estas areias, à doçura destes sorrisos.


No regresso à Europa um bom duche limpa a areia do corpo. O deserto, esse, fica sempre na alma.




sexta-feira, julho 25, 2014

quarta-feira, julho 23, 2014

O Corvo é um mundo

As nuvens nos Açores têm uma vida extraordinária, uma vida que não percebo bem! Hoje uma sobre o Corvo lembra uma auréola magnética.


Aqui acabam as palavras, aqui acaba o mundo; aqui neste tremendo isolamento onde a vida artificial está reduzida ao mínimo só as coisas eternas perduram.

Nem uma árvore, só erva verde tosqiada e junco vermelho. O céu enfumado e muito baixo pousa sobre os bordos do vasto caldeirão. As rampas de um verde-claro descem até ao fundo [...] Olho o vasto coliseu. Pedras, calhaus cobertos de líquenes, foram atirados a esmo por todos os lados.


[...] os grandes paredões  riscados de bronze e verde, as águas quietas, a luz fria e a solidão petrificada com o céu pousado sobre as nossas cabeças, transportam-me de repente para outro planeta, para o interior estranho de uma cratera lunar, para um mundo de sonho, habitado pelos gurajaus brancos que passam lá em cima como plumas.


O nevoeiro cor de pérola desce devagar dos bordos, arrasta-se pelas paredes deixando-as molhadas, entranha-se e afoga o Caldeirão, transformando-o numa grande fantasmagoria, dando-lhe personalidade e vida, para outra vez se erguer lentamente em silêncio, deixando à mostra o primeiro lago com ilhotas boiando como monstros petrificados, depois todo o fundo, depois os enormes paredões até lá acima.


in As Ilhas Desconhecidas, Raul Brandão

terça-feira, julho 22, 2014

Flores, a floresta adormecida






Esta paisagem verde e molhada é vaga como um sonho entreabre-se, fecha-se, sorri e adormece.


As ribeiras precipitam-se lá de cima, do planalto, correndo e caindo nos pulos e escavando a terra até encontrarem o leito de lagedo, quase sempre apertadas entre ribanceiras [...] dão à ilha uma verduraconstante e uma voz de oiro.

Montanhas, gargantas profundas se abaixaram gradualmente até ao mar - negras ou iluminadas; colinas em catarata despenham-se - e com a névoa cria-se um panorama de sonho - um panorama de luz sempre a refazer-se.


Da grande muralha selvática que tapa o vale despenham-se, de trezentos, quatrocentos metros de altura, três fitas azuladas de água que caem em baixo em silêncio.



in As Ilhas Desconhecidas, Raul Brandão