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sábado, novembro 28, 2009

A melhor maneira de viajar é sentir

Suponhamos, por um momento, que o empregado comercial Fernando Pessoa, o mestre Alberto Caeiro, os dois discípulos, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, e ainda o ajudante de guarda -livros Bernardo Soares eram membros da mesma associação secreta de viajantes. Será que o lema da associação, a senha passe-partout dos seus membros, poderia ser outra que não esta? Para que precisa de viajar com o corpo quem tão bem viaja com a alma?


Ah, seja como for, seja para onde for, partir!
Largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar.
Ir para Longe, ir para Fora, ir para a Distância Abstracta,
Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
levado, como a poeira, plos ventos, plos vendavais!
Ir, ir, ir, ir de vez!

Ode Marítima, Fernando Pessoa
in Livro de Viagem (Ed. Guerra e Paz)

sexta-feira, outubro 16, 2009

Sahara, marche avec moi

D'abord, le récit de la vie de Lakhdar Khellaoui, Touareg né au Niger en 1959. Une vie d'un romanesque époustouflant. Lakhdar raconte, autour du feu, l'extraordinaire parcours de sa vie nomade : les campements de l'enfance, les dernières razzias, la mort frôlée neuf fois de près, ses nombreux gagne-pain pour assurer la subsistance de sa famille, son service militaire sur le Front Polisario, sa découverte de l'Europe, sa rencontre avec les Françaises, ses amours, ses allers-retours Paris-Sahara en tant que guide pour l'agence Nomade, enfin sa vie actuelle de citoyen de l'entre-deux, le Nord et le Sud, le nomadisme et la sédentarité, le désert et la ville. Le roman vrai d'un homme à la double culture-passeur des deux rives.

Puis le carnet de voyage du peintre et écrivain voyageur Simon, réalisé lors de deux marches fabuleuses au Tassili, en 2001 et en 2008, guidées par Lakhdar. Les deux hommes se sont rencontrés en 1984 au Sahara ; les hasards chevaleresques de la vie ont fait d'eux des frères voyageurs. Le livre se compose des planches réalisées sur place : somptueux paysages de grès, animaux, copies des fresques pariétales, arbres millénaires... Les matières du désert, sable, plumes, épines, s'invitent au coeur des gouaches pour rendre la sensualité aride du Sahara. Un récit de voyage jubilatoire - véritable hymne à la marche "qui décape, allège, réconcilie" - accompagne ce travail pictural. L'un allait vers le Nord, l'autre allait vers le Sud; à la croisée de leurs chemins de vie inversés, ils ont trouvé la fraternité.

(Na Amazon.fr)

domingo, março 22, 2009

Alexandra David-Néel

O ambiente onde cresceu era o que se esperava em 1868, ano em que nasceu: austero. O que não seria de esperar é que a pequena Louise Eugenie Alexandrine Marie David, que viria a ser conhecida por Alexandra David-Néel, levasse a sério a promessa que fez: ultrapassar os feitos dos heróis de Júlio Verne.
Aos cinco anos fugiu de casa, pela 1ª vez. Uns anos mais tarde deixou a família a passar férias na Bélgica, partiu a pé para a Holanda e daí para a Grã Bretanha. Aos 17 anos passou pela vergonha de ser arrastada para casa pela sua mãe que a foi buscar à Suíça, onde tinha chegado sozinha, de comboio e, também sozinha mas a pé, atravessado o S. Gotardo.

Poder-se-ia pensar que o seu casamento tardio com o engenheiro Philippe Néel a levaria a assentar mas sete anos depois do enlace Alexandra partiu para a Índia numa visita de estudo que deveria durar 18 meses e se prolongou por 14 anos.
Num mosteiro de Sikkim dedica-se ao budismo e conhece o jovem Aphur Yongden que se torna seu filho adoptivo e com quem viaja para o Japão, Coreia e China.

Disfarçada de pedinte tibetana leva quatro meses a percorrer o Tibet a pé até alcançar a cidade proibida de Lhasa. É a 1ª mulher a fazê-lo e só é descoberta pelo invulgar hábito de se lavar num riacho todas as manhãs.


Com a bonita idade de 100 anos e já há muito regressada à sua França natal, solicita a renovação do passaporte. Morre a 8 de Setembro de 1969 pouco antes de completar 101 anos e as suas cinzas foram espalhadas sobre as águas do Ganges. (Mais wiki)


sábado, março 14, 2009

Ibn Battuta, o príncipe dos viajantes

No início do século 14 Ibn Battuta partiu de Tânger, a sua terra natal, rumo a Meca. Movido pela curiosidade e pela fé no Islão, só regressou a casa 28 anos mais tarde, depois de percorridos 120 000 quilómetros.

Mesmo para os dias de hoje a lista de países por onde passou é impressionante: Marrocos, Argélia,Tunisia, Egipto, Síria, Arábia Saudita, Oman, Dubai, Bahrein, Turquia, Bulgária, Egipto, Afeganistão, Paquistão, Índia, Bangladesh, Myanmar, Maldivas, Sri Lanka, Filipinas, Indonésia, China, Somália, Tanzânia, Quénia, Mali.

Aqui ficam as primeiras palavras dos seus manuscritos:

I left Tangier, my birthplace, on Thursday, 2nd Rajab 725, being at that time twenty-two years of age, with the intention of making the Pilgrimage to the Holy House and the Tomb of the Prophet.

I set out alone, finding no companion to cheer the way with friendly intercourse, and no party of travellers with whom to associate myself. Swayed by an overmastering impulse within me, and a long-cherished desire to visit those glorious sanctuaries, I resolved to quit all my friends and tear myself away from my home. As my parents were still alive, it weighed grievously upon me to part from them, and both they and I were afflicted with sorrow.

E as últimas:

I arrived at the royal city of Fa's [Fez], the capital of our master the Commander of the Faithful (may God strengthen him), where I kissed his beneficent hand and was privileged to behold his gracious countenance. [Here] I settled down under the wing of his bounty after long journeying. May God Most High recompense him for the abundant favours and ample benefits which he has bestowed on me; may He prolong his days and spare him to the Muslims for many years to come.

Fonte: Ibn Battuta: Travels in Asia and Africa 1325-1354 — excerpts from H.A.R. Gibb's 1929 translation

sábado, janeiro 10, 2009

Parabéns Tintin!

Tintin fête ce samedi ses 80 ans. C’est le 10 janvier 1929 que les lecteurs du magazine « Petit Vingtième » font connaissance pour la première fois avec Tintin, déjà accompagné de son fidèle chien Milou. « Tintin aux pays des Soviets », la première aventure en noir et blanc du reporter à la houppette, plonge le jeune lecteur dans les premières années mouvementées de la Russie bolchevique.

Tout commença en U.R.S.S. Puis ce fut le tour du Congo, suivi de l'Amérique. Vinrent ensuite l'Égypte et la Chine, l'Amérique du sud et l'Écosse. Et même la lune, un jour. Sans oublier des pays imaginaires comme la Syldavie, la Bordurie ou le San Theodoros… Pour Tintin, le globe terrestre n'était rien d'autre qu'un terrain de jeu. Une rampe de lancement d'où il s'élança sans relâche, guidé par le démon de l'aventure et le sens de la justice.

Rien d'étonnant alors, à ce que le magazine Géo, consacré à l'exploration de la planète, ait décidé de dédier un numéro hors-série aux pérégrinations du personnage d'Hergé. Résultat : plusieurs centaines de milliers d'exemplaires vendus et ce hors-série est devenu un livre, reprenant fidèlement le contenu élaboré par une équipe de reporters lancés sur les traces de Tintin. L'idée était excellente et le résultat passionnant : demander à de vieux briscards du reportage de mettre leur pas dans ceux du héros d'Hergé, histoire de voir où en sont aujourd'hui certains des pays visités dans ses albums. Pérou, Congo, Écosse, Shangai, Tibet… Autant de destinations "revisitées", sujets de grands reportages soucieux de confronter la vision rapportée par les bandes dessinées d'Hergé à la réalité d'aujourd'hui. Sans oublier un chapitre destiné à localiser avec précision la Syldavie, nichée quelque part dans les Balkans…

Outre ces reportages, le livre apporte un éclairage sur les autres facettes de l'œuvre d'Hergé : les inventions – souvent visionnaires – de Tournesol, les périples maritimes de son héros, le bestiaire des aventures de Tintin, ses différents moyens de locomotion, les personnages réels ayant servi de modèle, etc. Et reprend le dépliant en forme de fresque où se tiennent, coude à coude, les quelque cent quarante personnages qui ont défilé tout au long des vingt-quatre albums… Un panorama impressionnant, qui fut envoyé en guise de carte de vœux par Hergé en 1972. Avec ses 276 illustrations et ses onze cartes, ce livre constitue une véritable invitation au voyage en compagnie de l'un des plus fameux explorateurs de notre siècle. --Gilbert Jacques

De "Tintin, grand voyageur du siècle", à venda aqui.

Os 80 anos de Tintin por Carlos Pessoa (Público):

A primeira aventura de Tintin começou há 80 anos no suplemento infantil do jornal belga "Vingtième Siècle". Levou o herói ao País dos Sovietes e foi um sucesso imediato. Seguiram-se mais 22 aventuras do jovem repórter que conquistou um lugar à parte no imaginário colectivo

Nos primeiros dias de Janeiro de 1929, o jornal belga Vingtième Siècle incluiu um discreto anúncio. Em fundo, as cúpulas russas; em primeiro plano, um jovem de perfil, com uma cabeça redonda, nariz saliente, grandes sobrancelhas e cabelo rebelde caído para a testa. Calçava sapatos enormes e usava um fato de golfe aos quadrados. Na legenda: “Acompanhem, a partir da próxima quinta-feira, as extraordinárias aventuras de Tintin, repórter, e do seu cão, Milou, ao País dos Sovietes.” (continue a ler...)

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Latitude Zero

A viagem ao Equador foi a ocasião ideal para ler "Latitude Zero" onde o sul-africano Mike Horn relata a sua fabulosa expedição ao longo dos 40000 quilómetros da linha equatorial. Do Gabão .. ao Gabão, atravessou três oceanos, selvas impenetráveis, países em guerra, subiu dois picos de 6000 metros. A pé, de piroga, de catamarã, de bicicleta.
Deixo aqui um pequeno extracto da sua travessia da Amazónia:

Je mets quatre heures à faire la première moitié du chemin, soit trois cents mètres. À bout de forces, je m'arrête en plein milieu du marécage. Il faut absolument que je me repose quelques minutes. Je ferme les yeux ... et je m'endors debout. L'instant d'après, je suis brutalement reveillé par l'eau croupie qui me gifle le bisage.
Je repars. Mes mains ne sont plus qu'une plaie dont le sang ruiselle. Je n'arrive plus à tenir ma machette. J'ai brièvement la tentation de reculer, mais, malgré la douleur, je refuse cette idée. Moins par héroisme que pour ne pas avoir à retraverser ces trois cents mètres d'enfer.

L'expression "enfer vert" n'a pas été inventée pour rien. La jungle, surtout la nuit, est terrifiante. Si je prenais vraiment conscience de l'immensité verte, quasi infinie qui m'entoure, de cette vegétation et de cette faune grouillantes, de ces millions de prédateurs, de ces milliards d'insectes ... je pourrais devenir fou. Maintenant je comprends pourquoi certains hommes, égarés dans la jungle, ont perdu la raison.

sexta-feira, outubro 10, 2008

J.M. Clézio - Prémio Nobel da Literatura 2008

Do seu Deserto, as primeiras palavras:

Surgiram, como num sonho, no alto da duna, meio escondidos pela névoa de areia que os seus pés levantavam. Desceram lentamente para o vale, seguindo a pista quase invisível. À testa da caravana vinham os homens, envoltos nos seus mantos de lã e com os rostos dissimulados no véu azul. Com eles caminhavam dois ou três dromedários, seguidos pelas cabras e pelos carneiros espicaçados pelos rapazes. As mulheres fechavam o cortejo. Eram silhuetas pesadas, embaraçadas nos pesados mantos, em que a pele dos braços e das testas parecia ainda mais escura nos véus côr de anil. Andavam sem ruído na areia, devagar, sem olhar para onde iam.


e as últimas:

Todas as tardes, os lábios sangrentos procuravam a frescura dos poços, a lama salobra das ribeiras alcalinas. Depois, a noite fria abraçava-os, quebrava-lhes os membros e a respiração, punha-lhes um peso na nuca. Não havia fim para a liberdade, ela era tão vasta como a extensão da terra, bela e cruel como a luz, doce como os olhos de água. Todos os dias, ao primeiro alvor, os homens livres regressavam à sua morada, lá para o Sul, onde mais ninguém sabia viver. Todos os dias, com os mesmos gestos, apagavam os vestígios das fogueiras, enterravam os seus excrementos. Voltados para o deserto, faziam a sua oração sem palavras. Como num sonho, iam-se embora, desapareciam.


Ontem, ao final do dia em que o Nobel da Literatura de 2008 foi anunciado, o laureado, Jean-Marie Clézio, era apenas mais um desconhecido na FNAC do Chiado.

quarta-feira, julho 02, 2008

Carnet de la cambuse - As receitas de Corto Maltese

À boleia de Corto Maltese embarcamos pelos quatro mares numa viagem de sabores. Com ele apreciamos folhas de bananeira recheadas, frangos e borregos, deliciamo-nos com robalos, atuns, lagostas e polvos, bebericamos daiquiris e zombies, experimentamos yassa, bobotie e nfian ngond.
E os mais ousados podem mesmo saborear a irreverência de Corto nas receitas de pés de dromedário, guisado de serpente ou papagaios do mar.



Magnificamente ilustradas com aguarelas de Hugo Pratt as receitas de Michel Pièrre são complementadas pela sugestão do vinho ou bebida ideal para acompanhar cada uma a que não falta a indicação da temperatura a que o vinho deve ser servido.
Para ler, fazer, comer e chorar por mais.
Bom apetite!

domingo, julho 02, 2006

Africa Trek 1


Acabei a leitura do primeiro volume de Afrika Trek que relata a fabulosa aventura de Sonia e Alexandre, um casal francês que percorreu, a pé, os 14.000 kms que separam o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, do lago Tiberíades (Mar da Galileia) em Israel.

"...Nous voulons marcher dans les pas de l Homme, d une extremité à l' autre du Grand Rift, [...], refaire symboliquement le "premier voyage" du "premier homme" qui a quitté le berceau de l'humanité pour se répandre jusqu'aux confins du monde. [...] Notre objectif est de rencontrer sur les sites les scientifiques qui nous apporteront des éclairages sur les spécimens qu'ils ont trouvés.[...] Au-delà de ces belles idées nous voulons marcher au coeur de l Afrique d'aujourd'hui en partageant la condition des Africains qui voudront bien nous recevoir chez eux le temps d'un soir et d'un échange, avant de reprendre la route. Arpenter l'Afrique réelle qui dépasse le cliché du guépard au soleil-couchant, et tenter d'échapper au sinistre triptyque guérilla-famine-épidémies. L'Afrique doit être ailleurs, elle est là sous nos pieds, et tout notre projet est enfin réduit à sa plus simple expression, pratique, concrète: commencer !"
in Afrika Trek I
Sonia e Alexandre Poussin
Éditions Robert Laffont, 2004