Há 8 horas
Se não sabes para onde vais, tenta saber de onde vens (provérbio africano)
Começámos aos 4800m, a altura em que parámos no Cotopaxi. Subimos a custo, no meio de neve. O peito parece rebentar com o esforço, a cabeça lateja, os pulmões ressentem-se da falta de oxigénio que aqui é apenas 54% do que há ao nível do mar. Passamos por lápides que assinalam os nomes de quem ali deixou a vida porque o coração assim o quis, por quedas ou avalanches. Só em 1993 foram 10.
Subimos até à altitude de 3031 toesas e sentíamo-nos mal, doença que só podíamos atribuir à rarefacção do ar nestas regiões elevadas [...] A neve era tanta que mal nos conseguíamos ver uns aos outros. Estávamos envolvidos por um nevoeiro que apenas permitia ver os abismos que nos rodeavam.
A partir dessa faixa estreita é a natureza em estado bruto, a selva fascinante, misteriosa, impenetrável.
Sabemos que por ali há cobras e jaguares, tapires e capivaras, aranhas e tatus, mas na selva pouco se vê. Ouvem-se os guinchos dos macacos, um ramo que se despenha ruidosamente, um bater de asas que percorre o céu.
Fora dos trilhos, em direcção ao interior, é a floresta a sério, um livro misteriosos e fechado que à beira rio só podemos imaginar e que apenas se torna a abrir três mil e muitos quilómetros mais a leste, às portas do Atlântico.
O mundo ficou mais rico com a criação do novo blogue, No princípio era o ovo, nascido da cabeça tonta de 4 amigos - Rutix, SCM, PJF e MMP.
São os vestígios de uma antiga vila fortificada que Huayana Cápac mandou construir no século XV mas os arqueólogos são unânimes em dizer que não sabem ao certo o que albergou: fortaleza, armazéns de cereais, alojamentos do imperador e de soldados, local de culto ou sacrifício? Ou um pouco de cada, talvez. Certezas têm apenas em relação à construção mais bem importante: um templo de forma elíptica para o culto do Sol.
No parque Calderón, em frente à catedral, agitavam-se bandeiras de apoio ao "sim" no referendo à Constituição, distribuiam-se panfletos. O líder do Movimento Bolivariano Afarista desdobrava-se em sorrisos e entrevistas, a música tocava enquanto um grande ecrã mostrava as fases negras da história recente do Equador.
"E como se chamava esse senhor?", perguntei.
A produção de chapéus de paja toquilla é uma verdadeira indústria familiar e centra-se nas zonas de Cuenca e Montecristi, de onde vêm os mais perfeitos. A qualidade depende da paja em si mas, principalmente do cuidado com que é tecido e a tarefa fica a cargo das mulheres e das crianças cujos dedos mais pequenos conseguem uma malha apertada. Nos melhores, os superfinos, que são vendidos nas boutiques a algumas centenas de dólares, o aperto é tal que podem servir para transportar água sem que se perca uma gotita. E são tão maleáveis que se podem enrolar, sem partir, e fazer passar por dentro de um anel.
Muitas cabeças importantes os usaram: Al Capone, Roosevelt, Mark Twain, Tom Wolfe... Em Cuenca todos o usam e nem os santos "escapam" como o demonstra a imagem de Nossa Senhora na igreja sobranceira a Cuenca.
Se Quito é o centro da cultura e da arte, o dinheiro e o poder estão em Guayaquil e as diferenças entre os serranos, da capital, e os costeños estendem-se ao modo de ser das suas gentes. O ideal seria viver o dia em Quito e a noite em Guayaquil. E a noite vive-se, e muito, na recém reabilitada zona junto ao rio Guayas.
En Las Peñas, o bairro boémio de coloridas casa de madeira que desce pela encosta do morro de Santa Ana, a noite estende-se até de madrugada na animação dos muitos bares e das galerias de arte que com a noite se transformam em cafés.
É um espectáculo majestoso encontrar pela manhã um bando de baleias, resfolgando pelas ventas - é um espectáculo do princípio do mundo... Um pouco de neblina - mar azul!... Lá vão, com o dorso de fora e lançando, de quando em quando, um esguicho de água vaporizada. De repente, quase ao mesmo tempo, mostram os rabos e mergulham, emergindo mais longe, os lombos luzidios e a escorrer... É uma coisa que faz para o coração, é um quadro imenso e de uma frescura extraordinária.
Empoleiradas nos ramos secos de uma árvore as fragatas macho tentam atrair uma fêmea exibindo o seu saco gular, vermelho e inchado.
Mas o melhor é dar a palavra a quem sabe...