Nasceu em berço de ouro e partilhou com os irmãos uma infância feliz passada nos castelos da família aristocrata. Da mãe bebeu uma educação humanista, recheada de valores que honraria toda a vida: honestidade, respeito pelos outros.


O dia D chegou! O pedaço do canal que vai acolher os nossos primeiros quilómetros não foi desenhado por Riquet pois Carcassonne não quis co-financiar as obras. Vendo o sucesso comercial que o canal trouxe às povoações por onde passava, mudou de ideias e pagou a construção de um desvio, que abriu apenas em 1810.
Partimos com a dignidade de um Queen Mary a deixar o porto de Nova Iorque, apesar de na margem faltarem familiares e amigos chorosos a acenar lenços de despedida.
Depois ... foram 6 dias em que o tempo parou e navegámos a não mais de 8 quilómetros por hora, deslizando num bucólico túnel de verdura, o ronronar do motor a misturar-se com o canto das cigarras que o tempo quente acordou.

Caro Senhor, proponho a construção de um canal que estabeleça a ligação entre o oceano Atlântico e o mar Mediterrâneo, para permitir que os nossos barcos de mercadorias não tenham de contornar a península Ibérica evitando, assim, o mau tempo, os canhões espanhóis e os ataques dos piratas que enxameiam o estreito de Gibraltar.
A tarefa é gigantesca e são necessários quase 16 anos para construir as 63 comportas (simples, duplas, ... e até sêxtuplas), 126 pontes, 7 pontes-canal, 55 aquedutos, 6 barragens e 1 túnel que permitiram que os primeiros barcos atravessassem os 241 quilómetros do canal.
Hoje são cerca de 10 000 os barcos que cada ano cruzam as suas águas. Em 2011 um deles foi o nosso.Diz a lenda que as hostes de Carlos Magno cercaram a cidade ocupada por mouros comandados pela princesa Carcas. Um cerco longo, muito longo, mas os sitiados lá iam conseguindo produzir alimento suficiente e resistiram cinco anos. No 6º a situação começou a complicar-se e, a certa altura, nada mais havia para comer do que um leitão e um saco de trigo.
Em desespero de causa Carcas empanturra o porquito com todo o trigo que conseguiu e atira-o do alto das muralhas. Esborrachado no solo, o ventre rebentado exibe a fartura de grãos, fazendo crer aos soldados de Carlos Magno que a comida não faltava aos sarracenos.
O estratagema resultou e as hostes gaulesas levantaram o cerco.
Ao vê-los partir, radiante de alegria, a princesa manda tocar todos os sinos, para anunciar a boa nova. E é então que um dos vassalos de Carlos Magno terá gritado a frase que deu o nome à cidade:
“Sire, Carcas sonne!”
Cougar.
Com o aproximar do final da tarde, participantes e curiosos que ocupavam a Praça do Capitólio foram debandando, cedendo o lugar às sombras. Jean Philipe, chamemos-lhe assim, resistia ainda. No peito nu não havia pêlos a misturarem-se com o número de telemóvel que nele estava escrito. JP falava, quiçá respondendo a alguém que não resistira ao apelo...
"Nada, tenho idade para ser tua mãe." (mentira, tinha mas era idade para ser quase avó dele). "Mas posso dá-lo às minhas amigas", acrescentei, apontando para quem me acompanhava.
Toulouse foi ponto de passagem de Astérix e Obélix que na Volta à Gália aqui compraram a salsicha que leva o nome da cidade. Toulouse foi, também, pista de aterragem dos aviões da Aéropostale pilotados por Saint-Exupéry e Mermoz.
E foi Toulouse quem acolheu os oito valorosos lusitanos no regresso de uma semana de navegação no Canal du Midi.
Chamam-lhe a La Ville Rose (a Cidade Rosa) pois é essa a côr do material de construção que os romanos utilizaram para erguer a urbe Tolosa. Não havendo pedras na região, transportá-las de outro sítio seria caro e moroso. A argila vermelho-alaranjada era, pelo contrário, abundante, e com ela se fizeram os tijolos que caracterizam a cidade.
Ainda hoje é frequente cobrir edifícios modernos com uma camada de barro vermelho para manter o estilo e o tom.
