quinta-feira, março 31, 2011

Don't run, whatever you do

My arms were already raised, making me look bigger. I turned to the lions showing that I had forward-fancing eyes, like them and all the predators. I tried to roar, but as always what came out was more of a pathetic whimper.
They were bouncing stiff-legged, getting incrementally closer and stopped when they were about 20 feet from me.


[...]
I took a step back. They came again.

They charged.
They ran past, close enough for me to reach out a hand and touch them, before I could even register that they weren't going to hit me.

[...]
At the vehicle I finally turned. Somehow all seven japanese had squeezed onto the seat at the backside of the vehicle (designed for three). Spiirubaagu had his video camera hanging loosely in his hand, lens cap on, a look of displeasure on his face.

[...]
As I staggered into my seat, wanting to cry and scream, he spoke:
"I'm sorry, but I wasn't able to get that the first time. Would you mind doing it again"?



Peter Allison
in Don't run, whatever you do



segunda-feira, março 28, 2011

Gatinhos...


Entre eles e nós não havia distância, apenas grades suficientemente largas para que por elas conseguíssemos passar a lente da máquina ou tocá-los com um dedo. Suficientemente largas para que eles pudessem arrancar esse dedo ou passar uma pata e rasgar um braço. Não o fizeram mas não deixaram de mostrar o que poderiam ter feito, destruindo uma manga de um braço que não se afastou a tempo, banhando alguns com jactos de urina.







domingo, março 20, 2011

Super lua


Nasceu ontem, 19 de Março, grande e rosada, a maior lua do últimos 18 anos. Incapaz de registar imagens decentes da magia do acontecimento ficam duas, acompanhadas pela Voz de quem tão bem a cantou. Para ouvir aqui.


Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On a Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, baby, kiss me

Fill my heart with song
And let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you


Fill my heart with song
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, in other words
I love ... you

Frank Sinatra

segunda-feira, março 07, 2011

Il etait un petit navire...

A há muito sonhada viagem pelos canais de França tomou forma, um pouco inesperadamente, e em meados de Junho rumaremos a Carcassonne para uma semana de navegação no Canal du Midi, obra grandiosa da engenharia francesa que a UNESCO inscreveu no Património da Humanidade.

Marinheiros experientes que somos, não descuraremos o equipamento ...

... e será com a habitual capacidade de orientação (vide "Meter os pés pelas mãos") que vamos enfrentar o canal com toda a segurança...

... abordando cada uma das 66 eclusas que nos esperam com a serenidade de quem sabe o que faz.

Nos 37 pés do barco que nos está destinado tentaremos colocar os nossos 16, ocasião única para mostrarmos o quão unidos somos e para encurtar alguma distância que neste momento nos separe.

Da capitã espera-se que utilize a diplomacia que a caracteriza para manter a ordem e o bom ambiente a bordo.


Desenhos: Hergé, Thelwell

sábado, março 05, 2011

Com açúcar com afecto...

...foi como a Teresa e a Carolina, da Bolos dos Anjos, fizeram a deliciosíssima sobremesa que marcou uma importante mudança na minha vida. Larguei algum trabalho para começar outros, para que possa viver a vida com mais prazer. Ainda não está perfeito mas lá chegarei.

E espero que, quando fôr muito velhinha, de carrapito e bastão de caminhada a amparar os meus passos, ainda seja capaz de pôr a mochila às costas, a máquina fotográfica ao pescoço e percorrer este fabuloso planeta em que vivemos.
Inshalah!

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Father and Son

Na densa e misteriosa floresta tropical de Daintree, no norte do Queensland australiano, existe uma criatura que parece saída do jurássico: o casuar.

No topo da cabeça cresce-lhe um estranho apêndice, um corno compacto, uma espécie de capacete de soldado napoleónico. Tem o corpo coberto de penas pretas lustrosas, o pescoço em tons de azul e vermelho.

Apesar das asas não vôa, o que se compreende pois o seu habitat é tão cerrado que dificilmente conseguiria encontrar uma clareira que lhe permitisse ganhar balanço elevar o seu corpo que chega, em alguns casos, aos 2metros.

Mas corre por entre as árvores que finta com agilidade, ou atrás de quem o incomoda. E que se cuide quem o faz pois, nessas ocasiões a ave perde a habitual timidez e é capaz de saltar a uns respeitáveis 1,5 m, golpeando o intruso com as garras fortes e aguçadas que enfeitam os seus três dedos, mesmo à altura da jugular de um ser humano, como constatou o jovem Philip McLean que, em 1926, teve o privilégio de ser protagonista de um dos raros casos de agressões fatais.

Em geral o casuar é um animal reservado que desaparece na floresta antes mesmo de ser visto. Há menos de 1000 em liberdade, número que o coloca na lista das espécies ameaçadas. A diminuição do habitat e os atropelamentos são as maiores causas das mortes de adultos, os cães e os porcos selvagens comem-lhes ovos e crias.

O comportamento do macho e da fêmea foge ao habitual. Assim que põe os ovos a fêmea casuar parte para outras paragens, outras conquistas, deixando ao macho a tarefa da incubação dos ovos e protecção das crias, que faz com desvelo durante 9 meses.

Avistar um casuar em liberdade não é frequente e vê-lo com uma cria é raríssimo. Mas… então não é que está uma dupla pai e filho a atravessar a pista de Daintree aqui mesmo à nossa frente?!!

Sortudos!


quinta-feira, janeiro 27, 2011

Não há amor como o primeiro...

Com a crise política da Tunísia a ser notícia, veio à memória a viagem que aí fiz na primavera de 1997: o meu primeiro deserto.
Éramos seis, todos portugueses, guiados por Salah e sob os cuidados de Brahim, que se ocupava da comida e dos três camelos que carregavam sacos e colchões, comida, água e todo o resto.

Sem jipes de apoio, que sempre permitem alguns "luxos", foi o deserto mais desconfortável de entre a meia dúzia que já fiz. Mas foi o mais puro, aquele em que mais lhe senti a vastidão e o isolamento, foi o deserto mais deserto.


Durante seis dias espantámo-nos com os rastos que os escaravelhos deixavam à volta dos nossos sacos-cama, sinal de que os tinham rondado enquanto dormíamos, encontrámos lagartos, víboras e escorpiões e até a visão surreal de um pastor elegantemente vestido com um blazer bordeaux.

Aprendemos a cantar e a contar em tuaregue, jogámos ao galo com excrementos secos de camelo. Comemos pão cozido na areia e bebemos água da cor de Ice Tea e onde flutuavam pêlos da cabra que servia de barril.

Avançámos ao sabor do tempo, subindo e descendo dunas açoitados pelas areias que o vento muito forte espalhava pelos ares e pelo céu. Disputámos com os camelos os abrigos que nos protegiam do sol e do ventos que nos cobria de areia.

Subimos ao alto de uma duna a ouvir o silêncio, a ver as estrelas e a lua que pintava de prata as areias claras.

Trouxemos as linhas da palma da mão marcadas a areia, trouxemos o deserto impregnado na alma.


Ai... o primeiro amor...

sábado, janeiro 15, 2011

Parecem bandos de pardais à solta...

Pardais, não, mas aspirantes a fotógrafos. E lá andávamos em pequenos grupos, saltitando como pardais de assunto em assunto, um rosto aqui, um balcão de especiarias ali, um pormenor arquitectónico acolá...

E, embora percorrêssemos as ruas de Eskisehir separados em bandos de quatro que seguiam cada um o seu percurso, inevitavelmente as nossas vítimas eram assediadas pelas objectivas dos grupos que se sucediam. Não foram raras as vezes em que nos cruzávamos uns com os outros, altura em que nos divertíamos a apanhar a imagem de alguém que fotografava alguém que, por sua vez, também fotografava outro alguém. Ou a registar as poses menos convencionais dos que procuravam um outro ângulo, um outro olhar.


Fotos: Mochila às Costas, grupo EFSAD

sábado, janeiro 01, 2011

sábado, dezembro 11, 2010

Türkiye'deki fotografçılık

O que fazem 20 estrangeiros na pouco turística cidade turca de Eskisehir? Passeiam-se de gôndola nas águas do rio Porsuk? Deleitam-se nos ambientes aquecidos dos hamans? Planeiam uma excursão a Midas?
Nada disso! Participam num workshop de fotografia na EFSAD.

E é vê-los entusiasmados a beber cada palavra das excelentes aulas teóricas de Erdem Cetintas, empenhados a deambular pelas ruas em busca do melhor ângulo e a pôr em prática o que aprenderam ou atarefados em volta dos computadores a escolher e editar as imagens.

E no final, cansados mas orgulhosos das fotografias que inauguraram a galeria de exposições da prestigiada Universidade de Anadolu.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Com a mentira não me enganas...

Uma bela manhã, daquelas em que nos levantávamos às 5h e a passávamos na estrada a ver a paisagem desfilar sempre igual, Russel tirou-nos da sonolência com uma paragem brusca do camião.

“Tenho-me esquecido de vos mostrar isto”, disse, apontando para uma bomba de água movida a vento. "Como sabem o interior australiano pode ser quente, muit, muito quente. Pois bem, para evitar que o gado morra de calor, os agricultores criaram este sistema de refrigeração automática. Quando a temperature ultrapassa os 35º o motor entra em funcionamento e faz girar as pás para refrescar as vacas.”

LOLLOLLOLL…

Se o objectivo era acordar-nos a rir, consegui-o.

Esta é uma das petas que os aussies tentam impingir aos turistas, mas há mais:

“Este animal (Russel referia-se às vacas tipo zebu, com uma bossa no cachaço) é um “camoo”, um híbrido que resulta do cruzamento entre uma vaca e um camelo e que consegue resistir aos longos períodos de seca do outback.”

Pois…

Os caranguejos atarefavam-se na praia de Cape Tribulation, escavando buracos, saindo de uns, escondendo-se em outros, deixando centenas de pontinhos nas areias molhadas, fazendo bolinhas de areia que ficavam espalhadas pela praia.

“É um efeito engraçado, não é?”, comentava Ron. “Sabem que foram estes caranguejos quem inspirou a arte aborígene?”

Claro, Ron, principalmente os aborígenes do outback interior!











segunda-feira, novembro 01, 2010

De cowboy a Camões

Avançávamos devagarinho, medindo os passos, um pé cautelosamente após o outro. A água chegava aos joelhos mas estávamos avisados que a entrada na zona em que não tínhamos pé far-se-ia abruptamente. Mais um passo, outro, mais outro e ... splash!

Ernie, que seguia à frente, já tem água pelo pescoço e esbraceja para se manter à tona enquanto, entre gargalhadas, tenta alertar-nos para o evidente mergulho.
Splash, splash, splash... Um a um caímos no rio e é a nadar que empurramos até à outra margem as caixas de esferovite onde as mochilas e roupas estão a salvo.



Por instantes não somos nós, somos crianças, somos cowboys que montados nos cavalos tentamos alcançar terra firme fugindo da chuva de flechas que os índios disparam.

De volta a solo firme e à realidade temos pela frente hora e meia de caminhada com algumas passagens mais delicadas, até chegarmos à visão da cascata e piscina natural que nos esperam para um banho merecido.

As lajes grandes e lisas convidam ao descanso, o sol aquece o corpo que a água refrescou, mas são horas de partir, de trepar as mesmas rochas, de fingir que os joelhos não doem, continuar a saltar de pedra em pedra e regressar ao rio.

Ah... mas desta vez já não sou cowboy. A caixa de esferovite deixa entrar muita água e é com ela no ar que atravesso o rio, qual Camões a salvar os Lusíadas.