










Nasceu ontem, 19 de Março, grande e rosada, a maior lua do últimos 18 anos. Incapaz de registar imagens decentes da magia do acontecimento ficam duas, acompanhadas pela Voz de quem tão bem a cantou. Para ouvir aqui.



...foi como a Teresa e a Carolina, da Bolos dos Anjos, fizeram a deliciosíssima sobremesa que marcou uma importante mudança na minha vida. Larguei algum trabalho para começar outros, para que possa viver a vida com mais prazer. Ainda não está perfeito mas lá chegarei.
E espero que, quando fôr muito velhinha, de carrapito e bastão de caminhada a amparar os meus passos, ainda seja capaz de pôr a mochila às costas, a máquina fotográfica ao pescoço e percorrer este fabuloso planeta em que vivemos.
Na densa e misteriosa floresta tropical de Daintree, no norte do Queensland australiano, existe uma criatura que parece saída do jurássico: o casuar.No topo da cabeça cresce-lhe um estranho apêndice, um corno compacto, uma espécie de capacete de soldado napoleónico. Tem o corpo coberto de penas pretas lustrosas, o pescoço em tons de azul e vermelho.
Apesar das asas não vôa, o que se compreende pois o seu habitat é tão cerrado que dificilmente conseguiria encontrar uma clareira que lhe permitisse ganhar balanço elevar o seu corpo que chega, em alguns casos, aos 2metros.
Mas corre por entre as árvores que finta com agilidade, ou atrás de quem o incomoda. E que se cuide quem o faz pois, nessas ocasiões a ave perde a habitual timidez e é capaz de saltar a uns respeitáveis 1,5 m, golpeando o intruso com as garras fortes e aguçadas que enfeitam os seus três dedos, mesmo à altura da jugular de um ser humano, como constatou o jovem Philip McLean que, em 1926, teve o privilégio de ser protagonista de um dos raros casos de agressões fatais.
Em geral o casuar é um animal reservado que desaparece na floresta antes mesmo de ser visto. Há menos de 1000 em liberdade, número que o coloca na lista das espécies ameaçadas. A diminuição do habitat e os atropelamentos são as maiores causas das mortes de adultos, os cães e os porcos selvagens comem-lhes ovos e crias.
O comportamento do macho e da fêmea foge ao habitual. Assim que põe os ovos a fêmea casuar parte para outras paragens, outras conquistas, deixando ao macho a tarefa da incubação dos ovos e protecção das crias, que faz com desvelo durante 9 meses.
Avistar um casuar em liberdade não é frequente e vê-lo com uma cria é raríssimo. Mas… então não é que está uma dupla pai e filho a atravessar a pista de Daintree aqui mesmo à nossa frente?!!
Sortudos!
Com a crise política da Tunísia a ser notícia, veio à memória a viagem que aí fiz na primavera de 1997: o meu primeiro deserto.
Sem jipes de apoio, que sempre permitem alguns "luxos", foi o deserto mais desconfortável de entre a meia dúzia que já fiz. Mas foi o mais puro, aquele em que mais lhe senti a vastidão e o isolamento, foi o deserto mais deserto.
Durante seis dias espantámo-nos com os rastos que os escaravelhos deixavam à volta dos nossos sacos-cama, sinal de que os tinham rondado enquanto dormíamos, encontrámos lagartos, víboras e escorpiões e até a visão surreal de um pastor elegantemente vestido com um blazer bordeaux.
Aprendemos a cantar e a contar em tuaregue, jogámos ao galo com excrementos secos de camelo. Comemos pão cozido na areia e bebemos água da cor de Ice Tea e onde flutuavam pêlos da cabra que servia de barril.
Avançámos ao sabor do tempo, subindo e descendo dunas açoitados pelas areias que o vento muito forte espalhava pelos ares e pelo céu. Disputámos com os camelos os abrigos que nos protegiam do sol e do ventos que nos cobria de areia.
Subimos ao alto de uma duna a ouvir o silêncio, a ver as estrelas e a lua que pintava de prata as areias claras.
Trouxemos as linhas da palma da mão marcadas a areia, trouxemos o deserto impregnado na alma.

O que fazem 20 estrangeiros na pouco turística cidade turca de Eskisehir? Passeiam-se de gôndola nas águas do rio Porsuk? Deleitam-se nos ambientes aquecidos dos hamans? Planeiam uma excursão a Midas?
E é vê-los entusiasmados a beber cada palavra das excelentes aulas teóricas de Erdem Cetintas, empenhados a deambular pelas ruas em busca do melhor ângulo e a pôr em prática o que aprenderam ou atarefados em volta dos computadores a escolher e editar as imagens.
E no final, cansados mas orgulhosos das fotografias que inauguraram a galeria de exposições da prestigiada Universidade de Anadolu.
Uma bela manhã, daquelas em que nos levantávamos às 5h e a passávamos na estrada a ver a paisagem desfilar sempre igual, Russel tirou-nos da sonolência com uma paragem brusca do camião. “Tenho-me esquecido de vos mostrar isto”, disse, apontando para uma bomba de água movida a vento. "Como sabem o interior australiano pode ser quente, muit, muito quente. Pois bem, para evitar que o gado morra de calor, os agricultores criaram este sistema de refrigeração automática. Quando a temperature ultrapassa os 35º o motor entra em funcionamento e faz girar as pás para refrescar as vacas.”
LOLLOLLOLL…
Se o objectivo era acordar-nos a rir, consegui-o.
Esta é uma das petas que os aussies tentam impingir aos turistas, mas há mais:
“Este animal (Russel referia-se às vacas tipo zebu, com uma bossa no cachaço) é um “camoo”, um híbrido que resulta do cruzamento entre uma vaca e um camelo e que consegue resistir aos longos períodos de seca do outback.”
Pois…
Os caranguejos atarefavam-se na praia de Cape Tribulation, escavando buracos, saindo de uns, escondendo-se em outros, deixando centenas de pontinhos nas areias molhadas, fazendo bolinhas de areia que ficavam espalhadas pela praia.
“É um efeito engraçado, não é?”, comentava Ron. “Sabem que foram estes caranguejos quem inspirou a arte aborígene?”
Claro, Ron, principalmente os aborígenes do outback interior!
Avançávamos devagarinho, medindo os passos, um pé cautelosamente após o outro. A água chegava aos joelhos mas estávamos avisados que a entrada na zona em que não tínhamos pé far-se-ia abruptamente. Mais um passo, outro, mais outro e ... splash!
De volta a solo firme e à realidade temos pela frente hora e meia de caminhada com algumas passagens mais delicadas, até chegarmos à visão da cascata e piscina natural que nos esperam para um banho merecido.
As lajes grandes e lisas convidam ao descanso, o sol aquece o corpo que a água refrescou, mas são horas de partir, de trepar as mesmas rochas, de fingir que os joelhos não doem, continuar a saltar de pedra em pedra e regressar ao rio.