sexta-feira, julho 26, 2013

O vermelho e o negro


Ainda os olhos não se habituaram à diferença de luminosidade e já ao cérebro é pedida uma adaptação bem maior. Sai-se da Oude Kerk pisando as lajes onde repousa a fina-flor de Amesterdão, deixa-se o ambiente escuro e respeitável e, mesmo junto à porta principal, os pés quase esmagam a escultura em bronze que se destaca das pedras da calçada. Uma mão e um seio. Não se sabe quem a fez mas por lá ficou, numa homenagem às prostitutas da cidade.

 

Vira-se à direita, cumprimentando a estátua da prostituta Belle (encaixotada para recuperação aquando da minha visita), dão-se meia dúzia de passos e, paredes meias com as vetustas paredes sagradas, estão as janelas decoradas com veludos e rendas, luzes e vermelhos, onde meninas de várias idades, raças, formas e até género, tentam aliciar clientes.
Estamos em pleno Rossebuurt, o Bairro Vermelho, que, ao contrário do que se possa supor, não é uma zona da cidade a evitar. As ruas são animadas mas seguras, o policiamento é discretamente eficaz. Locais, turistas curiosos, adolescentes em fase de afirmação, homens de meia idade em crise de identidade, famílias inteiras... todos passam por lá.  Há bares históricos, restaurantes animados; ao lado de uma inocente padaria uma loja de preservativos expôe-os na montra, coloridos, com bonecos ou animais. Nas casas de recordações chocolates de formas... huumm, peculiares, partilham o espaço com postais, tamancos, porta-chaves e bibelots, também eles por vezes ... huumm...
Mais adiante uma boneca insuflável anima uma montra de torradeiras, cafeteiras e outros domésticos.

 

As meninas estão registadas e até têm um botão de emergência para contactar as autoridades caso algum encontro corra mal. Mas, convém não esquecer que prostituição é prostituição e que nas montras há vítimas do tráfico humano, trazidas ao engano, mantidas à força por uma mafia poderosa, que não hesita em promover encontros secretos envolvendo crianças.
Apesar de legais as janelas animadas e vermelhas escondem, como em todo o mundo, um outro lado, bem negro.

segunda-feira, julho 22, 2013

Dar ao pedal


São velhas, sem mudanças nem travões, são omnipresentes, são as bicicletas de Amesterdão.
Todos as usam, novos e velhos, para o trabalho ou para a ópera, para levar o filho à escola ou o cão a passear e até para atirar aos canais nas noites de desvario. De calções ou fato completo, salto alto ou havaianas, mas nunca de capacete.

As regras de circulação são as habituais, mas ninguém as cumpre. Sentido único? Pfff... Proibições? Pfff... Na bicicleta namora-se, lêem-se os títulos do jornal acabado de comprar, telefona-se, escrevem-se sms. Sempre a pedalar. 

 

No estacionamento junto à estação central, onde se amontoam 2500 velocípedes, é visível o esforço que os proprietários fazem para distinguir o seu. Um selim colorido, uma fita pendurada, uma bolsa com bonecos. Mesmo assim é frequente não se conseguir encontrar a bicicleta que se arrumou ao início do dia. Ou porque há uma centenas iguais e já-não sei-onde-é-que-a-deixei ou porque foi roubada. Em qualquer dos casos aplica-se a lei de talião, olho por olho, dente por dente, e, não encontrando a própria, sai-se com a que estiver mais à mão.
Os roubos são tão frequentes que há quem diga que, se gritarmos "Ei, essa bicicleta é minha" junto a um grupo, mais de metade foge a correr.

Bike like a local, recomendam aos turistas.  Assim seja... duas pedaladas e parto à descoberta de Amesterdão.





quinta-feira, julho 18, 2013

O turbante otomano

É à palavra turca para "turbante" que vai buscar o nome: tulipa.
Foi também turca a mão que a transformou de simples planta silvestre da Ásia central à flor que apaixonou a Europa, onde chegou por outra mão, a do embaixador dos Habsburgos no império otomano.

Sinal de riqueza, chegavam a ser dadas verdadeiras fortunas pelos bolbos mais raros, num despique de ostentação que rondava a loucura.
Existem mais de 100 variedades de tulipas e o melhor sítio para as ver é o Keukenhof, que abre as portas ao público durante as 8 semanas de floração. 

A primavera envergonhada e fria atrasou o calendário, os campos que esperava ver pintados de cor eram apenas extensões enormes de promessas. As flores concentravam-se nos pavilhões-estufa e, contrariando os meus receios, deram espetáculo, deixaram a vontade de um regresso numa primavera mais cooperante. 

domingo, julho 14, 2013

À mesa


foto: I live in a frying pan http://www.iliveinafryingpan.com/

"Uma str..., stroo..., uma coisa dessas, por favor."
Felizmente o produto é bem mais fácil de digerir do que o nome. E bem mais saboroso. São duas bolachas finas que levam no meio um recheio de caramelo. Aqui não são servidas do modo tradicional, em que o conjunto deve ser colocado sobre um copo de uma bebida quente para que o vapor aqueça a bolacha inferior e derreta o caramelo mas mantendo a bolacha superior estaladiça. A que me vendem é aquecida numa chapa mas o resultado é na mesma delicioso.

foto: I live in a frying pan http://www.iliveinafryingpan.com/ 

Se não tivesse optado por experimentar uma stroopwafel podia ter testado as poffertjes. Junte-se as pontas do indicador e do polegar e o buraco por eles formado é a medida exacta destas mini-panquecas holandesas. Fofas, polvilhadas de açúcar, mergulhadas em manteiga e servidas à dúzia.

foto: wikimedia a little tune http://www.flickr.com/photos/alittletune/) 

Come-se "gordo" em Amesterdão. As Febo, distribuidoras de colesterol, são verdadeiros restaurantes dentro de uma máquina que, a troco de uns trocos, regurgitam croquetes, hamburgueres e até guisados, quentes, prontos a comer. Fast mais fast, não há.
Nas ruas cruzo grandes cones de batatas fritas nas mãos de passantes que as envolvem em maionese, molho de maçã, amendoim,  cebola ou... todos.

Fiquemo-nos pelas provas de queijo de cabra ou vaca, velho ou novo, e ousemos o arenque cru, um filete com a espessura de um dedo, que os locais comem no melhor estilo-pelicano, deixando o peixe escorregar pela goela. Os fracos, como eu, juntam-lhe cebola crua e pão.

foto: http://insidenanabreadshead.com/
 
Faltou-me a jenever (genebra?), o gin holandês que foi criado como medicamento mas que rapidamente passou a ser a cura para outros males. Serve-se em copos em forma de tulipa, cheios até ao bordo. Se tivesse provado devia fazê-lo como os habitués, inclinando-me sobre o copo, mãos atrás das costas, para o primeiro golo. Vai ter de ficar para a próxima.

quarta-feira, julho 10, 2013

Atrás da porta

Ai..., as  portas de Amesterdão ...
O que parece ser uma entrada vulgar no bairro vermelho é uma igreja, construída para que um jovem pudesse estudar para padre, na época em que os calvinistas proibiram a religião católica. 


Ou a outra, em Kaalverstraat, a rua mais cara do Monopólio holandês, em que um papagaio e a frase "15 minutos para Deus" nos deixam passar para mais uma igreja clandestina do século 17.


Mas a surpresa maior talvez seja o Beguijnhof. Está-se numa das praças mais movimentadas da cidade, a Spui. Gente apressada, tramways, livrarias, lojas e barulho. Uma porta discreta que se empurra e entramos numa máquina do tempo. Atrás de nós o bulício do século 21, à frente o século 14, tranquilo. Um pátio ajardinado, com casas pequenas, que albergava uma congregação de mulheres solteiras ou viúvas, de boas famílias, que viviam em comunidade, as "béguines", ajudando idosos e levando uma vida religiosa sem, no entanto, fazerem votos.
 


A porta fecha-se à saída e, para o mal ou para o bem, regresso ao século 21.



sábado, julho 06, 2013

É só fachada!


 
A história parece a cópia da criação do "meu" Porto Salvo: pescadores perdidos no meio de uma tempestade, a promessa de erigir qualquer coisa no sítio onde encontrassem abrigo, blá, blá...
Apesar de nada corresponder à verdade, ajuda a dar uma pincelada de cor que fica bem nos microfones dos guias turísticos. Não tendo sido criada pelo milagre da salvação dos aflitos, foi-o por um outro milagre: o da engenharia humana.

Quem passa pelas ruas animadas talvez não se aperceba mas Amesterdão é uma cidade palafita. Milhares de edifícios assentam sobre estacas que chegam a ter 30m, o comprimento que precisam para atravessar o que já foi um pântano e atingir solo mais firme.
As casas mantém um ar medieval bem conservado, com janelas que ocupam praticamente toda a frontaria, sem cortinas, escancaradas a deixar  entrar a luz e, antigamente e talvez ainda hoje, a mostrar a opulência dos interiores.
Uma placa complementa frequentemente o nº de porta, indicando a profissão ou a origem de quem lá mora. Indispensável numa cidade medieval onde poucas eram as pessoas capazes de decifrar alfabetos e quejandos.

 

São estreitas, muito, pois os impostos dependiam da largura da fachada. A mais pequena, com apenas 2m de largura, é um empilhado de andares de 12m2 cada. Acrescente-se-lhe o espaço para a escada e o que sobra não é muito. O dia deve ser um constante sobe-e-desce entre a o quarto, casa de banho, cozinha e sala, cada um em seu piso.


Têm no topo uma roldana para levar mobília e carga aos pisos superiores. E, para impedir que os objetos batam contra a parede, toda a fachada se inclina para a frente, como se quisesse espreitar quem toca à porta.

Têm tanto para ver, as casas de Amesterdão...

terça-feira, julho 02, 2013

I AMsterdam

 

Em que cidade pensa se lhe disser a palavra "canal"? Veneza, pois claro. E se acrescentar "bicicleta"?
Espero, para bem deste post e dos que se lhe seguem, que a resposta seja Amesterdão.



É a cidade da tolerância, que acolheu de braços abertos os judeus portugueses e espanhóis do séc 16, os belgas na WW1, os húngaros na revolução de 1956. Uma tolerância regulamentada, registe-se. Legalizam-se prostituição, bordéis e drogas leves mas é proibido fumar um inocente Marlboro nas coffeshops onde se enrolam uns charros. Sacudir tapetes à janela sim, mas só às horas permitidas por lei.


Património da Unesco graças à rede de canais e casas, Amesterdão é uma cidade  medieval, bem conservada e cheia de vida: o visitante que olha o mapa, a senhora sentada à porta de casa a desfolhar o sol nas páginas de um livro, os adolescentes que saem da escola, a multidão que se aglomera à entrada de um museu, o barbeiro, os barcos que cruzam os canais, as bicicletas aos milhares, o padre, o disparar de máquinas fotográficas, as mães que deitam o olho às brincadeiras dos filhos...




segunda-feira, julho 01, 2013

Julho


Em julho abafadiço fica a abelha no cortiço



Mês de ceifa e debulha dos cereais. Terminar a colheita de batata temporã e começar a destinada à semente. No final do mês os aipos e alguns melões. Cavar as terras dos canteiros. Roçar mato para estrume. Regar ao amanhecer ou entardecer. No Crescente cobrir as cepas (etc).

in Almanaque Borda d'Água 2013

quinta-feira, maio 09, 2013

Allez, les chiens!


 
Tout comme un seul chien ils se lèvent et manifestent par un long et beau hurlement leur envie de partir. [...]

Un clameur accompagne le mouvement des chiens plongeant dans leurs harnais. La secousse me cambre les reins et un frisson de bonheur court le long de mon dos, mes jambes, jusqu'aux pieds solidement calés sur les deux patins du traîneau. [...]

 

Je pèse de tout mon corps sur le patin droit du traîneau pour éviter un arbre, puis sur le gauche pour éviter le second, je freine pour redresser [...] Les chiens prennent le galop et les ordres censées de les ralentir ou les arrêter sont inefficaces. [...]

Les chiens déroulent un beau trot, régulier, allongé, rapide [...] Le vrai départ! Ici j' abandonne tout pour m'enfoncer dans le grand blanc, le grand silence.

Nicolas Vanier
in L'Odyssée Blanche







segunda-feira, abril 15, 2013

A menina dança?


Ao pequeno almoço alguém anuncia a leitura fresca do termómetro: -31º. Está frio mas a ausência de vento e a humidade reduzida tornam as temperaturas muito mais suportáveis do que alguma vez imaginei. Mas escusado será dizer que, mais tarde, soube muito bem estar do lado de dentro da parede envidraçada do spa a "olhar" o contraste entre o aspecto gélido da pista de ski e a água morna da piscina.


O frio intenso que se acentuou com o cair da noite e a atmosfera limpa arrastou-nos para a rua, e, maravilha!, um rasto verde sobressaía no escuro, uma aurora boreal a pintar o negro do céu. Algures, diz a lenda, uma raposa varre a neve com a cauda e faz saltar faíscas.

Os amarelos e vermelhos, o baile das luzes, que esperava ver, faltarama chamada; o espectáculo foi discreto, quase tímido, mas, que importa?, ela estava lá e com ela a emoção da minha primeira aurora boreal.

Até qualquer dia, menina Aurora?


quinta-feira, abril 11, 2013

Sempre a abrir!

Ontem ouvimo-las à distância, uma zoada constante que fere o silêncio da paisagem e incomoda.
Mas ... isso foi ontem. Hoje, que é a nossa vez de as conduzir, a música é outra e bem mais agradável.


Vestidos os fatos que nos fazem parecer o boneco da Michelin,  escondidas atrás do capacete, até parecemos experientes motards das neves. Uau!

Primeiras instruções, primeiros solavancos, que a sensibilidade do acelerador de mão exige habituação, concentração a 100% e força, muita força para manter a mota na pista, para fazer as curvas sem sair dela. 

 
Mas depressa nos habituamos e pouco depois já acelarávamos por entre paisagens surreais, árvores como fantasmas abatidos pelo peso da neve, céu azul e uns agradavelmente revigorantes -15ºC.

Vruuuuuuuuuuuuuuummm...

sexta-feira, março 15, 2013

De raquetes nos pés

 

De joelhos, uma ao pé da outra, as duas crianças começaram a quebrar o gelo. Bem depressa apareceu uma superfície verde, de um verde muito escuro. Era água, água que se cobria quase logo de uma fina camada de gelo.
Agora só nos resta esperar, — disse Grichka.
(René Guillot, in Grishka e o seu urso)


Foi o que fizemos . Não por muito tempo, diga-se. Ultrapassada a dificuldade de furar 70 cm de gelo, à custa de (alguns!) braços e uma broca, depressa nos apercebemos que os peixes não se deixavam seduzir pelo ar de brinquedo da caninha de pesca que nos puseram nas mãos. E a paisagem à volta merecia todos os nossos olhares.

 
O resto do grupo secundou-nos na devolução dos engenhos piscatórios dignos do Toys "r" Us e as raquetes pisam agora os caminhos feitos de neve que sobem e descem as colinas da floresta. E se nos trilhos a progressão é fácil, fora deles o fácil é enterrarmo-nos até aos joelhos, mergulharmos na neve fofa e ficar à espera de uma alma caridosa que nos ajude a regressar à posição vertical.

Apesar do frio, suamos na subida até à cascata congelada, que não nos consegue convencer dos benefícios de um duche gelado.


Ao longe os pinheiros banhados por um sol dourado marcam a fronteira russa ainda marcada pelos tempos da guerra fria onde até o tempo para atravessar a extensa terra-de-ninguém é controlado (o que acontecerá a quem o exceder?)

 (foto RCC)
A sol já está fraco quando regressamos à base e arrumamos as raquetes. Amanhã será outro dia, outra experiência.

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A marca amarela

Cruic, cruic, o trenó desliza sobre a neve fresca. Desvio o olhar da pista para ver a paisagem banhada pela luz dourado do sol poente que parece escorrecer desde a copa das árvores até ao chão imaculado.
E o trenó continua a avançar ao ritmo cadenciado de Kaapo, a rena.

A custo esqueço a beleza da paisagem e concentro-me na procura. A marca amarela, algures no branco da lapónia finlandesa, a marca que Rutix e RCC me garantiram existir.
O frio nas mãos, as pestanas cobertas de gelo anunciam a descida da temperatura mas nada parece incomodar Kaapo, que trota sem hesitação.

Por fim encontro-a, o amarelo prometido a sobressair da neve.
Páro o trenó, dou ao animal o merecido descanso, abro a porta e peço:

 "Um hamburguer de rena, por favor."

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

A preto e branco

  
Os 15º negativos que nos esperavam no aeroporto de Kuusamo não impediram as fotos da praxe junto ao marco que assinala os 66º33'44''de latitude norte a que chamamos círculo polar ártico. Agora sim, sentimo-nos chegadas à lapónia finlandesa!

Ao longo do longo caminho que nos deixará em Salla deliciamo-nos com pormenores que para nós quase têm cheiro a novidade,tudo parece ter outro encanto, a neve nos ramos, nas caixas de correio, os fios de eletricidade que resistem ao peso extra.
"Nem sempre", havia de nos dizer Terttu, a nossa anfitriã. "Por vezes o peso é tal que os fios cedem e ficamos alguns dias sem energia elétrica. E sem aquecimento.Temos de ter sempre uma boa reserva de lenha. Sem ela e sem eletricidade, não seria difícil a temperatura interior descer aos -30."
Brrrr...

Mas por enquanto, no quentinho do autocarro, o frio é apenas um número. O cenário desfila como um filme antigo, o solo confunde-se com o céu, também ele branco, as árvores de tronco escuro empertigam-se como soldados na parada, quase nada quebra a monocromia da paisagem.

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

domingo, fevereiro 03, 2013

A caminho de Salla


Em Paris, à espera do vôo de amanhã que, bem cedo, nos vai levar até Salla, o pontinho vermelho do mapa, junto á fronteira com a Rússia.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Basta de dizer "Um dia..."

Há cerca de 30 anos fiquei de olhos pregados numa cena do filme "Local Hero" . Um céu como nunca tinha visto, uma tela viva onde azuis, verdes e vermelhos dançavam ao som da música de Mark Knopfler. 
E lá estava Mac, tão enfeitiçado como eu, numa cabina telefónica a ligar para o patrão a descrever o que via: uma aurora boreal.

foto:http://www.arcadedarwin.com/2012/10/11/local-hero-um-filme-genial/

A magia daqueles instantes calou bem fundo cá dentro  com ela a vontade de , um dia, poder assistir ao vivo ao que acredito ser um dos mais belos espetáculos  que a natureza pode oferecer.

Jack London despertou-me para os cães e os trenós, as páginas da revista da Natinal Geographic mostraram-me a deslumbrante e brutal Iditarod, Nicolas Vanier levou-me no seu trenó nos 8000 km da sua travessia do Canadá. E os trenós de cães juntaram-se às auroras boreais.
Um dia...  

 foto: http://www.interestingfacts.org/fact/iditarod-facts

Finalmente esse dia chegou, o dia em que deixei de dizer: "um dia..."
E assim, no início de fevereiro parto para o norte da Finlândia, acima do círculo polar ártico, junto à fronteira com a Rússia, para uma semana de atividades várias: trenó de cães, de renas, moto de neve, e o que mais se verá.

E porque as coisas boas da vida são ainda melhores se partilhadas, foi bom saber que a Rutix e a RCC responderam ao desafio.






Oxalá as auroras nos brindem com a sua presença mágica, oxalá as temperaturas mínimas não nos impeçam de aproveitar ao máximo.

terça-feira, janeiro 01, 2013

Janeiro

A água de Janeiro vale dinheiro.
Janeiro quente traz o diabo no ventre.



Lavoura das terras e preparação das culturas de Inverno, como a da batata. A poda na Lua Minguante é recomendável, mas nas figueiras, laranjeiras e macieiras os grandes cortes são prejuduciais. Enxertos no Crescente. Semear favas e ervilhas de variedades e de desenvolvimento rápido. Semear centeio, couve galega, nabo, cenoura, couves, ervilha, feijão, nabiça e tomate. Em estufa ou cama quente, plantar pepino, melão, pimento e abóbora. Em local definitivo cenoura curta, alho, cebola, alfaces, ervilha, alho-porro e salsa. Transplantar para viveiro: couve-flor, fava, feijão, etc. Na horta semear alface romana, couves repolho e sabóia, rabanete, fava ervilha e grão-de-bico. Colher couves, espinafre, etc. No jardim semear begónia, ervilha de cheiro, gipsófila, girassol, lírio, paciências, flor-de-lis. Colher violetas, amores-perfeitos, camélias, jacintos, túlipas, etc.

Almanaque Borda d'Água