domingo, novembro 13, 2011

No São Martinho vai à adega e prova o vinho


Patrono de cavalos e cavaleiros, de pedintes, produtores de vinho e até de alcoólicos reformados, a São Martinho está associado o templo clemente que muitas vezes abençao os dias em redor de 11 de Novembro - o verão de São Martinho.


Martinho atravessava os Alpes a cavalo, no regresso a França. A neve e o vento forte tornavam  a travessia difícil mas a capa que fazia parte do seu uniforme de soldado mantinha-o abrigado. A certa altura, no meio de uma tempestade, deparou-se com um velho andrajoso, transido de frio. Não tendo mais nada para lhe dar, Martinho rasgou ao meio a sua capa e entregou uma parte ao idoso,
O Bom Deus ter-se-á impressionado com a solidadriedade do cavaleiro e, num instante, a neve e o vento desapareceram e o sol brilhou no céu como se fosse verão.

 
 Lendas à parte, o melhor do São Martinho vive-se na Golegã. 


Mais fotografias aqui.

sábado, outubro 08, 2011

A gota de água


O sol a pique parece queimar a vegetação seca e rasteira de Etosha, a savana perdeu os verdes exuberantes que a cobrem na altura das chuvas. Mas é agora mais fácil observar a vida animal que se concentra nos poucos e preciosos pontos de água. E que vida!



Os elefantes acabaram de partir mas a manada de gnus acabou de chegar, vinda do lado oposto da de zebras que já cá estavam. Um par de órixes enceta uma perseguição poeirenta atravessando um grupo de springbobks que tentava manter-se à margem do conflito, o casal de avestruzes afasta impalas para que as suas 16 crias possam beber em segurança, enquanto o chacal espreita uma oportunidade conseguir refeição.



As girafas aproximam-se mas aguardam a sua vez para beberem, as zebras escoiceando-se, mordem-se, e a passarada esvoaça por todo o lado.


Uf! Nos pontos de água de Etosha o olhar não tem descanso!

quarta-feira, outubro 05, 2011

Uadi Anas, Guadiana


O álbum de fotografias da descida do Guadiana em caiaque pode ser visto aqui.

Guadiana

Guadiana
(Rui Veloso canta Carlos Tê)

Corre nobre Guadiana
espelho de moura formosa
vai ficando uma ribeira
pela terra sequiosa

Nunca pensei assistir
à tua dor na charneca
és como um Deus a cair
Ante a barbárie da seca

Corre corre Guadiana
pela terra alentejana
pudesse eu dar-te esta canção
a vertigem dos caudais
dar-te o farto aluvião
das águas primordiais

E ver-te com dignidade
a correr entre os campos
como o rio que tem um caminho
desde o começo dos tempos

Ouve as pedras do teu leito
a pedir que não as deixes
ouve os barcos parados
ouve os homens ouve os peixes

Corre corre Guadiana
por essa terra raiana
que eu faço um apelo aos lagos
convoco nos céus as fontes
teço três meadas de água
dos fios perdidos nos montes



sexta-feira, setembro 30, 2011

Moses


Moses vende cebolas à beira da estrada, em Tsumeb, onde fizemos uma paragem logística. Vendo-me passar de máquina fotográfica ao pescoço, arrisca, esperançado:
"Queres tirar-me uma foto? São 10 dólares."
Páro, encolho os ombros, e é a minha vez de atirar uma pergunta: "E porque é que eu havia de te querer fotografar?"

A resposta e o meu ar indiferente surpreenderam o rapaz que abre os olhos, admirado, enquanto eu continuo: "Ainda por cima a máquina é minha, o trabalho é meu. Se queres que te tire uma fotografia és tu que tens de pagar."

Moses olha para mim em silêncio com o ar meio incrédulo de quem não percebe muito bem o que se está a passar. Sorrio e acrescento: "Não quero tirar-te fotografias mas, se quiseres, posso ajudar-te a fazer os sacos de cebolas."

No rosto de Moses desenha-se um sorriso aliviado e é com entusiasmo que me mostra como cortar a rede para fazer um saco, quantas cebolas a pôr em cada um. E lá fui enchendo alguns sacos até que Moses ganhou coragem para fazer timidamente a pergunta que se esperava:

"Podes tirar-me uma fotografia, mas sem eu pagar?"





quinta-feira, setembro 15, 2011

Namíbia, Land of the Brave

Se à chegada me pedissem que descrevesse a Namíbia numa só palavra escolheria "asséptica", que associei às primeiras impressões do país. Aeroporto organizado, o alcatrão das estradas em bom estado, trânsito respeitador e cidades sem o caos de Nairobi ou Maputo. A Namíbia mostra o que é: uma nação movida pela força e entusiasmo próprios da jovem que é. Por detrás sente-se a herança paterna, a mão organizada dos alemães e sul-africanos que durante anos a dirigiram.

Mas, felizmente, não deixa de ser como os outros países africanos, uma terra de contrastes onde encontramos mulheres de tronco nu, filhos às costas e telemóvel na mão, homens com saias de folhos e t-shirts "ocidentais".


Um país onde as cidades transmitem segurança mas que, como na RSA, não deixam de ter gradeamentos electrificados e avisos de intervenção armada.
Um país onde a tradição e o progresso parecem co-existir sem demasiados choques, onde o sorriso é espontâneo. Uma terra de paisagens magníficas e variadas, de fauna exuberante, um canto do mundo que vale a pena conhecer.




Vamos a isso!




sábado, agosto 27, 2011

Paris?

E porque a Nomade se enganou ao dar-me as datas dos vôos, se não conseguir trocar o que em leva para casa, é em Paris que passo este dia.

quinta-feira, agosto 25, 2011

Amani?


Enquanto fazemos horas para o vôo da noite talvez haja tempo para um saltinho ao Amani Lodge onde podemos ver bem de perto alguns felinos.

quarta-feira, agosto 24, 2011

Regresso a Windoek


Colónia alemã de 1884 a 1915 não surpreende que nela se encontrem as melhores cervejas do continente africano.
À chegada à capital vai saber bem uma Windoek fresquinha.

terça-feira, agosto 23, 2011

Kalahari


Muitos desertos povoam o meu imaginário e este é um deles. Vou, finalmente, pôr um pé nas areias do Kalahari.

domingo, agosto 21, 2011

sábado, agosto 20, 2011

Dead Vlei

Fale-se na Namíbia e são as imagens de Dead Vlei que vêm à cabeça: dunas enormes de um laranja forte que contrasta com os troncos negros de árvores mortas. Aqui magistralmente fotografadas por Frans Lanting

sexta-feira, agosto 19, 2011

quinta-feira, agosto 18, 2011

quarta-feira, agosto 17, 2011

Swakopmund

Dia livre na cidade que é a mais turística da Namíbia. E actividades não faltam: descoberta da cidade e dos seus edifícios coloniais, as dunas num balão de ar quente, de quad, jipe, de camelo, a cavalo ou numa sandboard, salto de pára-quedas, passeio de helicóptero sobre a Costa dos Esqueletos...
E também vai saber bem trocar as tendas por um hotelzito.

terça-feira, agosto 16, 2011

Cabo Cross

O nome vem da cruz que o navegador português Diogo Cão aqui ergueu no século XV mas o que justifica a nossa visita é a enorme colónia de focas.

domingo, agosto 14, 2011

Gravuras rupestres

São cerca de 2000 as gravuras rupestres que vamos ver em Twyfelfontein. A sua importância e antiguidade justificam a inscrição no património da Humanidade da UNESCO.

(fotografia: Thomas Schoch)

sábado, agosto 13, 2011

Desfiladeiro de Khowarib

Depois das muitas horas de estrada que fizemos ontem vai saber bem esticar as pernas numa caminhada no desfiladeiro de Khowarib.

sexta-feira, agosto 12, 2011

quinta-feira, agosto 11, 2011

quarta-feira, agosto 10, 2011

Himba

Hoje andamos por território himba, povo nómada que vive essencialmente do pastoreio. Para se protegerem do sol cobrem o corpo com uma mistura de gordura animal e ocre, que dá à pele uma cor avermelhada.

(fotografia: Hans Hillewaert)

terça-feira, agosto 09, 2011

Kaokoland

Abandonamos o parque de Etosha para mergulharmos no Kaokoland, a norte, que dizem ser uma zona selvagem, inóspita, montanhosa. Já foi um bantustão, um pseudo-estado tribal criado pelo regime de apartheid da África do Sul para manter os negros afastados das zonas dos brancos.

segunda-feira, agosto 08, 2011

Mais Etosha

Com os acampamentos estrategicamente colocados junto a pontos de água discretamente iluminados é previsível que boa parte das noites em Etosha seja passada junto algum deles.

domingo, agosto 07, 2011

Parque Nacional de Etosha

O que nos guardo o dia de hoje? Animais! Muitos! Kudus, impalas, elefantes, gazelas, girafas, leões, zebras, gnus, rinocerontes, e répteis, flamingos, pelicanos e muita mais passarada. Vamos lá a ver se temos sorte...

sábado, agosto 06, 2011

Windoek

Chegamos bem cedinho à capital da Namíbia mas dela só vimos o aeroporto pois há estrada a fazer antes de acamparmos às portas do ... post seguinte.

quinta-feira, agosto 04, 2011

Levantar vôo

O primeiro de muitos vôos, um saltinho a Paris que pouco mais será do que a passagem do aeroporto de Orly para o CDG.

domingo, julho 31, 2011

S'il vous plait ... dessine-moi un mouton!

"S'il vous plait ... dessine-moi un mouton!", dizia o vinil que dançava no velho gira-discos.
Estava numa aula de francês e, tanto quanto me lembre, foi a única vez em que "ouvi" o Petit Prince a falar. O autor da história, Antoine de Saint-Exupéry, descobri-o mais tarde, nas páginas de Vol de Nuit, Terres des Hommes, ...


Nasceu em berço de ouro e partilhou com os irmãos uma infância feliz passada nos castelos da família aristocrata. Da mãe bebeu uma educação humanista, recheada de valores que honraria toda a vida: honestidade, respeito pelos outros.
O fascínio pelo ar começou por volta dos 12 anos quando as férias da família o levaram para perto de um aeródromo e lhe permitiram a admiração pelos aviões, longas horas de conversa com os mecânicos e o baptismo de vôo.
Piloto da que viria a ser a Aéropostale e transportou correios e esperanças para o Senegal e, mais tarde, na Argentina. A integração da companhia na recém-nascida Air France deixou-o em terra, altura em que se dedicou ao jornalismo de grande reportagem que o levou ao Vietname e Moscovo. Foi a 2ª GG que o trouxe de novo aos céus.
A 31 de Julho de 1944 descola da Córsega para o que foi o seu último vôo.


Durante muitos anos a sua morte esteve envolvida em mistério. Avaria técnica? Suicídio? Abatido pelos alemães? Só em 2004 foram encontrados os restos do seu avião e em 2008 o piloto alemão Horst Ripper, então com 86 anos, confessou ter sido o autor dos disparos que o destruiu.


(Aguarelas de Hugo Pratt)